PMs de SP são suspeitos de forjar prisão de inocente para aparecerem na TV - O gato laranja

5 de ago. de 2020

PMs de SP são suspeitos de forjar prisão de inocente para aparecerem na TV

Policial militar de SP concede entrevista para falar da prisão de suspeito de assassinato de jovem. Foto: Reprodução
Policiais militares são suspeitos de forjarem a prisão do morador de rua, Clayton Silva Paulino Santos, 34, sabidamente inocente, com o objetivo de aparecerem na TV. O principal motivo da prisão era o reconhecimento por parte de outra vítima de estupro que, dias antes, teria sido violentada pelo mesmo homem, mas escapando com vida. Com informações do jornal Folha de São Paulo.

Segundo a reportagem, as suspeitas ganharam força em maio deste ano, quando equipes do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) conseguiram chegar ao verdadeiro suspeito do assassinato de Francisca Amanda e, principalmente, quando a vítima que acusava Santos de estupro voltou atrás de seu reconhecimento e explicou os motivos de ter mentido. Ela disse ter sido pressionada por policiais militares para acusá-lo porque, segundo os PMs, Santos seria o autor do estupro e morte de Amanda e, assim, tinha de ser "punido", tinha que "pagar", "porque era o certo".

"Os policiais disseram para a declarante mencionar a tatuagem no reconhecimento, informando que o indivíduo tinha uma tatuagem do Corinthians, dizendo, ainda, que a declarante deveria também reconhecer um boné de cor preta com a inscrição 'Argentina' como sendo o boné utilizando pelo autor do crime do qual foi vítima", diz trecho de documento da Justiça paulista que determina a soltura de Santos e a abertura de investigação por parte da Corregedoria da Polícia Militar.

O novelo da história começou a ser desenrolado com a prisão em flagrante, em 25 de abril deste ano, do também morador de rua Fernando Domingos dos Santos Dantas, 30, sob a acusação de ter estuprado uma mulher de 36 anos na Cidade Líder, também na zona leste da capital. A vítima contou aos policiais que, durante o crime, Dantas obrigou-a dizia frases do tipo "diz que você quer ser minha mulher", "que quer morar comigo".

Quando os policiais do DHPP tiveram acesso a essas informações, lembraram de que a vítima que acusava Santos tinha dado versão muito parecida, com frases similares, ao registrar o boletim de ocorrência, em 1º de março. Ao ser chamada mais uma vez ao DHPP para falar sobre o assunto, essa vítima confessou ter mentido sobre Santos e contou sobre a pressão feita pelos policiais militares. Ela também reconheceu ser Fernando Dantas o autor do seu estupro.

A falsa acusação de estupro e a divulgação da foto de Santos pela TV quase provocaram a morte de Santos, segundo a família e polícia. A família conta ainda que Santos teve passagens por furto e roubo, crimes praticados para sustentar o vício em drogas, mas não são do perfil dele crimes sexuais.

A Secretaria da Segurança Pública informou que, após receber a documentação do Poder Judiciário sobre o caso, a Polícia Militar imediatamente instaurou um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar todas as circunstâncias relativas aos fatos.

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